O governo de Taiwan afirmou, nesta quarta-feira (23), que a China está “claramente” tentando interferir no funcionamento da democracia da ilha. A declaração foi feita às vésperas de uma votação que pode levar à destituição de cerca de um quinto dos parlamentares do país.
No sábado (26), os eleitores taiwaneses decidirão o futuro de 24 legisladores do Kuomintang (KMT), o maior partido de oposição de Taiwan. A votação foi motivada por uma campanha de recall conduzida por grupos civis que acusam os parlamentares de manterem uma postura excessivamente favorável a Pequim. A China considera Taiwan parte de seu território. A ilha, no entanto, é democrática e independente, segundo Taipé.
O KMT nega qualquer alinhamento com o governo chinês, afirmando que manter canais de diálogo com Pequim é necessário. O partido classificou a campanha como um ataque “malicioso” à democracia e afirmou que a iniciativa ignora os resultados das eleições parlamentares realizadas no ano passado.
Segundo reportagem da agência Reuters, o Escritório de Assuntos de Taiwan do governo chinês e veículos da mídia estatal da China comentaram repetidamente sobre o processo de revogação, utilizando argumentos semelhantes aos do Kuomintang.
Em uma publicação no Facebook, o Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan, citando a Reuters e uma pesquisa do Instituto de Pesquisa em Governança de Taiwan (IORG), repudiou a interferência chinesa. “A tentativa do Partido Comunista Chinês de interferir na operação democrática de Taiwan é evidente e clara”, afirmou. “A revogação em Taiwan é um direito civil garantido pela Constituição, e cabe ao povo de Taiwan decidir quem deve ou não ser destituído do cargo.”
A votação ocorre em meio a um cenário de intensificação da pressão diplomática e militar da China sobre a ilha, parte de uma campanha contínua para reforçar suas reivindicações territoriais, veementemente rejeitadas por Taipé.




