Vacina universal contra o câncer avança após estudo com mRNA nos EUA

Cientistas planejam testar em humanos nos próximos anos.


Pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, desenvolveram uma vacina experimental de mRNA que demonstrou capacidade de potencializar os efeitos da imunoterapia e eliminar tumores em testes com camundongos. Os resultados do estudo foram publicados na quinta-feira (17) na revista Nature Biomedical Engineering e representam um avanço significativo rumo à criação de uma vacina universal contra o câncer.

Diferentemente de outras abordagens, a formulação não foi criada para combater um tipo específico de tumor. Em vez disso, a vacina estimula amplamente o sistema imunológico, como se o organismo estivesse respondendo a uma infecção viral. Esse estímulo gerou uma reação robusta das células de defesa, que passaram a reconhecer e atacar células tumorais.

“A grande surpresa é que uma vacina de mRNA, mesmo sem ter como alvo um câncer específico, conseguiu gerar uma resposta imune com efeitos anticâncer bastante significativos”, afirmou Elias Sayour, oncologista pediátrico e líder da pesquisa.

Nos experimentos, a vacina foi combinada com inibidores de checkpoint imunológico, como o anti-PD-1. Esses medicamentos atuam liberando o “freio” das células T, permitindo que elas ataquem o tumor. A combinação foi testada em camundongos com melanoma, câncer ósseo e cerebral, inclusive em casos resistentes a tratamento, e apresentou resultados promissores, incluindo a eliminação total dos tumores em alguns modelos.

A estratégia envolveu forçar os tumores a expressarem a proteína PD-L1, tornando as células cancerígenas mais visíveis ao sistema imune. A tecnologia é similar à usada nas vacinas contra a Covid-19, como Pfizer e Moderna.

A equipe pretende iniciar testes clínicos em humanos nos próximos anos. “Se conseguirmos replicar esses efeitos em humanos, isso abre caminho para uma vacina universal que prepara o sistema imunológico para reconhecer e destruir o câncer”, declarou Duane Mitchell, coautor da pesquisa.