Índia se “afasta do BRICS” e avança em acordo de tarifas com os EUA

As tarifas de Trump anunciadas aos países asiáticos variam de 20% a 40%.


Os Estados Unidos estão trabalhando em um acordo comercial provisório com a Índia que poderá reduzir as tarifas propostas para menos de 20%, segundo fontes com conhecimento direto das negociações ouvidas pela Reuters. A medida colocaria o país sul-asiático em posição privilegiada em comparação a seus vizinhos na região.

Diferentemente de diversas nações que receberam cartas formais de exigência tarifária nesta semana, a Índia não espera ser notificada dessa forma. O entendimento preliminar deve ser anunciado por meio de uma declaração oficial, permitindo que as conversas prossigam com vistas a um pacto mais amplo previsto para este outono, afirmaram as fontes sob condição de anonimato à agência.

De acordo com os relatos, o comunicado deve estabelecer uma tarifa base inferior a 20% — abaixo dos 26% inicialmente propostos — com uma redação que permita às partes continuar negociando os termos até a assinatura do acordo final. No entanto, o momento exato da conclusão do acordo provisório permanece incerto.

Caso seja finalizado, o entendimento colocará a Índia em um grupo restrito de parceiros comerciais que conseguiram acordos com o governo de Donald Trump. O presidente surpreendeu dezenas de países nesta semana ao anunciar tarifas de até 50%, com vigência a partir de 1º de agosto.

Nova Délhi busca garantir condições mais vantajosas do que as obtidas pelo Vietnã, que enfrentou tarifas de 20% e ainda tenta reduzi-las. Até o momento, o Reino Unido é o único outro país com quem Trump anunciou um acordo comercial.

Na quinta-feira (10), Trump declarou à NBC News que considera impor tarifas gerais entre 15% e 20% aos parceiros que ainda não foram notificados. A tarifa mínima vigente para quase todos os parceiros comerciais dos EUA é de 10%.

As tarifas já anunciadas para países asiáticos variam entre 20%, como no caso do Vietnã e das Filipinas, e até 40%, como no caso de Laos e Mianmar. Embora a Índia tenha sido uma das primeiras a buscar negociações com Washington este ano, tensões recentes surgiram, sobretudo diante da participação indiana no grupo BRICS.

Nova Délhi já apresentou sua melhor oferta, ressaltando os limites que não pretende ultrapassar. Um dos principais impasses permanece na exigência dos EUA para que a Índia abra seu mercado a culturas geneticamente modificadas — proposta rejeitada pelo país em defesa de seus agricultores.