Rússia é o 1º país do mundo a reconhecer o governo do Talibã no Afeganistão

O Talibã voltou ao poder em 2021, após a saída das forças dos EUA e da OTAN do Afeganistão.


A Rússia tornou-se, nesta quinta-feira (3), o primeiro país a reconhecer oficialmente o governo do Talibã no Afeganistão desde que o grupo retomou o poder em 2021. A decisão foi acompanhada da remoção do Talibã da lista russa de organizações proibidas, segundo anúncio do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

O reconhecimento formal foi oficializado com o recebimento das credenciais diplomáticas de Gul Hassan Hassan, recém-nomeado embaixador afegão em Moscou. Segundo o ministério, a medida abrirá caminho para uma “cooperação bilateral produtiva”.

O Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão classificou a decisão como um passo histórico. O chanceler do Talibã, Amir Khan Muttaqi, afirmou que o gesto representa “um bom exemplo para outros países”.

O Talibã assumiu o controle do Afeganistão em agosto de 2021, após a retirada das tropas dos Estados Unidos e da OTAN. Desde então, busca reconhecimento internacional, embora continue impondo uma interpretação rígida da lei islâmica.

Até então, nenhum país havia reconhecido formalmente o governo do Talibã. Ainda assim, o grupo manteve negociações diplomáticas de alto nível com diversas nações e desenvolveu laços com países como China e Emirados Árabes Unidos. No entanto, segue isolado no cenário global, em razão, sobretudo, das restrições severas impostas às mulheres.

Apesar de prometer inicialmente uma gestão mais moderada do que a vigente entre 1996 e 2001, o Talibã retomou, desde 2021, medidas repressivas. Mulheres foram proibidas de trabalhar na maioria dos setores e de frequentar locais públicos, enquanto meninas não podem estudar além da sexta série.

O embaixador russo em Cabul, Dmitry Zhirnov, afirmou à emissora estatal Channel One que a decisão foi tomada pelo presidente Vladimir Putin, sob recomendação do chanceler Sergey Lavrov. Segundo ele, a medida demonstra “esforço sincero da Rússia pelo desenvolvimento de relações plenas com o Afeganistão”.