Em meio a tensões crescentes com o Congresso Nacional e críticas à gestão econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou a pauta da taxação dos bilionários às ruas de Salvador (BA), durante a caminhada pelo 2 de Julho, data que celebra a Independência da Bahia. A participação ocorreu na manhã desta quarta-feira (2), em um evento marcado mais por simbolismo político do que por soluções concretas para a crise fiscal.
Ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), da primeira-dama Janja Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, o presidente exibiu um cartaz com defesa explícita da tributação dos super-ricos. O registro foi compartilhado em suas redes sociais, acompanhado da legenda: “Mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso”.
A ação ocorre em um momento em que o governo tenta reforçar o discurso de justiça social para justificar medidas que, na prática, representam aumento da carga tributária. A retórica de “ajuste” contrasta com a reação do Congresso, que recentemente aprovou um projeto de decreto legislativo para barrar mudanças nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), impostas unilateralmente pelo Executivo.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a medida visa conter o avanço da carga tributária sobre a sociedade. Já o governo insiste que os aumentos atingem apenas a elite econômica. Durante entrevista nesta quarta, Lula afirmou: “Nós não estamos propondo um aumento de imposto, não. Estamos fazendo um ajuste tributário neste país para que os mais ricos paguem um pouco para que a gente não precise cortar dinheiro da Educação, da Saúde”.
Apesar do discurso, críticas apontam que o governo tem falhado em apresentar um plano fiscal confiável, e que a narrativa de justiça tributária pode servir para mascarar a dificuldade em equilibrar as contas públicas.




