Putin afirma que Rússia pretende reduzir gastos militares a partir de 2026

A economia russa tem enfrentado desaceleração, inflação elevada e queda nas receitas de energia.


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (27) que o país planeja reduzir seus gastos com defesa a partir de 2026, em contraste com a decisão recente da OTAN de ampliar os investimentos militares ao longo da próxima década.

Na quarta-feira (25), os países-membros da OTAN concordaram em elevar a meta coletiva de gastos para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2035, justificando a medida com base na “ameaça de longo prazo” representada pela Rússia e na necessidade de fortalecer a resiliência civil e militar da aliança.

Em sua primeira reação à decisão, Putin declarou em entrevista coletiva em Minsk que os novos recursos da OTAN seriam direcionados a “compras dos EUA e ao apoio ao seu complexo militar-industrial”, e que isso seria uma questão interna da aliança, sem relação com a Rússia.

“Mas agora, aqui está o mais importante. Estamos planejando reduzir os gastos com defesa. Para nós, no próximo ano e no ano seguinte, no próximo período de três anos, estamos planejando isso”, afirmou. Segundo ele, ainda não há acerto final entre os ministérios da Defesa, das Finanças e da Economia, “mas, de modo geral, todos estão pensando nessa direção”.

Putin acrescentou: “E a Europa está pensando em como aumentar seus gastos, pelo contrário. Então, quem está se preparando para algum tipo de ação agressiva? Nós ou eles?”

As declarações de Putin devem ser recebidas com ceticismo pelo Ocidente, já que a Rússia tem elevado consideravelmente seus gastos militares desde o início da guerra na Ucrânia, conflito que continua sem sinais de resolução e com intensificação recente dos combates.

Putin disse valorizar os esforços do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim ao conflito. “Ele declarou recentemente que acabou sendo mais difícil do que parecia do lado de fora. Bem, isso é verdade”, afirmou.

Embora Trump tenha declarado que acredita na disposição de Putin em resolver o impasse, Ucrânia e aliados europeus sustentam que o Kremlin não demonstra interesse genuíno em um acordo de paz e busca ampliar seu domínio territorial.

Putin informou que negociadores russos e ucranianos mantêm contato constante e que Moscou está pronta para devolver os corpos de mais 3.000 soldados ucranianos.

A economia russa tem enfrentado desaceleração, inflação elevada e queda nas receitas de energia. Ainda assim, os gastos estatais com defesa nacional crescerão 25% em 2025, atingindo 6,3% do PIB — o maior nível desde a Guerra Fria — e correspondendo a 32% do orçamento federal.