O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou na quinta-feira (26) que uma nova corrida armamentista pode resultar na queda do regime do presidente russo Vladimir Putin, assim como a União Soviética foi desestabilizada pelo excesso de gastos militares.
As declarações foram dadas após a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) anunciar um expressivo aumento nos investimentos em defesa, medida considerada essencial diante da ameaça representada pela Rússia.
“Putin deveria compreender que está seguindo o mesmo caminho de Leonid Brejnev”, declarou Sikorski em entrevista concedida à AFP, à agência de notícias polonesa PAP e à agência alemã DPA. “Ele próprio reconheceu, certa vez, que a União Soviética entrou em colapso devido aos gastos excessivos com armamentos. Agora, está repetindo esse mesmo erro.”
O ministro acrescentou que Putin está conduzindo uma guerra extremamente dispendiosa e, ao mesmo tempo, provocando e alarmando os países ocidentais, o que os levou a ampliar substancialmente seus orçamentos de defesa. “Estamos agindo assim porque Putin nos ameaça”, enfatizou.
Sikorski destacou ainda que, considerando que a economia russa é equivalente em tamanho à do estado norte-americano do Texas, o governo de Moscou terá de alocar ainda mais recursos para manter sua estrutura militar. “Esperamos que isso leve a um desfecho semelhante ao da União Soviética — porém mais rápido — para o regime atual”, completou.
Na mesma ocasião, os 32 países membros da OTAN aprovaram a principal meta defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) aos gastos relacionados à defesa.
O acordo estabelece que 3,5% do PIB sejam direcionados especificamente às despesas militares até 2035, enquanto os outros 1,5% serão aplicados em áreas complementares à segurança, como infraestrutura estratégica.
A decisão da aliança ocidental teve como base central a invasão da Ucrânia pela Rússia. A declaração final da cúpula classificou Moscou como uma “ameaça de longo prazo à segurança euro-atlântica”.




