A China acusou na segunda-feira (23) o presidente taiwanês Lai Ching-te de “heresia”, provocação e hostilidade, após um discurso no qual ele afirmou que a ilha é “obviamente” um país, sustentando sua declaração com “evidências históricas e provas legais”.
Pequim, que considera Taiwan uma província rebelde sem direito à independência, reafirmou que a ilha é parte “sagrada” do território chinês desde os tempos antigos. O Gabinete de Assuntos de Taiwan, em comunicado, afirmou que Lai distorceu intencionalmente a história para promover uma agenda separatista.
“Foi uma declaração de ‘independência de Taiwan’ que incitou descaradamente o confronto entre os dois lados do estreito, e uma miscelânea de falácias e heresias sobre ‘independência de Taiwan’ cheias de erros e omissões”, declarou o gabinete. “As falácias fabricadas por Lai Ching-te em contravenção à história, à realidade e à jurisprudência serão varridas para o lixo da história.”
Lai, por sua vez, e seu governo reiteraram que a ilha é uma democracia consolidada e que somente os taiwaneses podem decidir seu futuro. O Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan reagiu ao comunicado de Pequim afirmando que o presidente apenas relatou fatos históricos.
“Acreditar que Taiwan é parte da China desde os tempos antigos e que não é um país é apenas uma mentira inventada e sem qualquer fundamento”, afirmou o conselho. “Apelamos às autoridades comunistas chinesas para que enfrentem o fato de que a República da China existe objetivamente e o status quo no Estreito de Taiwan, de que ‘os dois lados não são subordinados um ao outro’.”
Desde 1949, após a vitória dos comunistas na guerra civil chinesa, o governo da República da China se refugiou em Taiwan, mantendo esse nome formal até os dias atuais. A China, contudo, nunca governou a ilha. Nos últimos cinco anos, Pequim aumentou significativamente a pressão política e militar sobre Taiwan, incluindo exercícios militares simulando uma possível invasão.




