Israel na ONU: “Como o Irã ousa pedir proteção com essa agenda genocida?”

A reunião na ONU, em Nova York, foi marcada por tensões, com Israel acusando o Irã de “vitimismo”.


Em uma reunião marcada por acusações duras e clima hostil, o Conselho de Segurança das Nações Unidas não chegou a um consenso sobre a guerra entre Israel e Irã. O encontro desta sexta-feira (20) evidenciou a profunda divisão entre os membros e terminou sem avanços diplomáticos.

O conflito entre os dois países, após décadas de tensões indiretas, tornou-se direto na última semana. Israel iniciou bombardeios contra o Irã, justificando a ação como uma medida para impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear. O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones.

O embaixador iraniano, Amir Saeid Iravani, classificou os ataques de Israel como “agressões” e apresentou imagens de crianças supostamente mortas pelos bombardeios. “Os chamados ataques preventivos e as alegações de ameaça existencial usadas por este regime terrorista e seus aliados para justificar agressões”, disse. Já o embaixador israelense, Danny Danon, acusou Teerã de encenar vitimismo: “Como você ousa pedir à comunidade internacional que o proteja das consequências de sua própria agenda genocida?”

Enquanto as negociações entre o Irã e potências europeias em Genebra foram suspensas sem resultados, membros do conselho expressaram apoio à diplomacia. A embaixadora dos EUA, Dorothy Camille Shea, classificou o Irã como a “principal fonte de instabilidade e terror no Oriente Médio”. Reino Unido e França adotaram tom mais moderado.

A Rússia criticou o Ocidente por “fabricar” acusações contra o Irã, e a China pediu cessar-fogo imediato. A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou que o Irã violou o Tratado de Não Proliferação Nuclear ao enriquecer urânio a níveis elevados. O presidente dos EUA, Donald Trump, contestou a avaliação da inteligência americana: “Bem, então minha comunidade de inteligência está errada”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu paz urgente. “Não estamos caminhando em direção a uma crise. Estamos correndo em direção a ela.”

Segundo autoridades, ao menos 224 pessoas morreram no Irã e 29 em Israel.