Base em Portugal recebe 12 aviões militares dos EUA para possível ataque ao Irã

Donald Trump ainda não confirmou se os EUA intervirão diretamente ao lado de Israel, mas diversas movimentações indicam preparativos nesse sentido.


A Base das Lajes, localizada na ilha Terceira, nos Açores, recebeu nos últimos dias 12 aviões reabastecedores da Força Aérea dos Estados Unidos. Para o major-general Isidro de Morais Pereira, a movimentação sinaliza que os norte-americanos consideram a possibilidade de intervir diretamente em operações militares no Oriente Médio.

“Sabemos que já transitaram dos Estados Unidos mais de duas dezenas de aviões de reabastecimento em voo. Para além desses 20, que já estão na Europa e muitos deles já na região do Médio Oriente [Oriente Médio], há também uma reserva de reabastecedores que neste momento estão na Base das Lajes”, afirmou o especialista militar e comentador da CNN Portugal. “Se for uma grande operação aérea, esses aviões estão de reserva e poderão ser chamados a intervir.”

Atualmente, um porta-aviões norte-americano já se encontra na região do Golfo, com mais dois a caminho. Há também a presença de um porta-aviões britânico. “São muitos aviões para reabastecer. Além dos 300 caças israelenses, pois Israel também só tem três aviões de reabastecimento e talvez os Estados Unidos deem uma mãozinha no reabastecimento”, observou Morais Pereira.

Donald Trump ainda não confirmou se os EUA intervirão diretamente ao lado de Israel, mas diversas movimentações indicam preparativos nesse sentido. Entre elas estão a retirada de pessoal não essencial da região e o destacamento de uma grande quantidade de meios aéreos.

Questionado pela agência Lusa — principal agência de notícias de Portugal — o Departamento de Defesa dos EUA limitou-se a declarar que “o Comando Europeu dos EUA acolhe habitualmente aviões militares (e pessoal) dos EUA em regime transitório, em conformidade com acordos de acesso a bases e sobrevoo com aliados e parceiros”. “Para além disso, não temos mais nada a partilhar”, acrescentou a nota oficial.

Segundo Morais Pereira, “as Lajes não são tão importantes como foram noutros tempos porque atualmente, os aviões norte-americanos – os caças e os caças-bombardeiros – têm mais alcance do que tinham antigamente, e porque os Estados Unidos aumentaram muito a sua frota de abastecedores em voo”. Ainda assim, a base continua sendo considerada uma “reserva estratégica” por estar em posição intermediária entre os EUA e a Europa.