Fim da escala 6×1 pode elevar preços de alimentos e serviços

A mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bi.

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A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado, na noite de quarta-feira (14), reacendeu o debate sobre os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho nos preços ao consumidor. Entidades empresariais alertam que o aumento dos custos com mão de obra poderá ser repassado aos consumidores.

Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões e provocar uma alta média de 6,2% nos preços ao consumidor. A entidade também projeta uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

No comércio, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a inflação poderá aumentar em até 13% com a implementação das novas regras, segundo levantamento da entidade. As projeções envolvem possíveis efeitos sobre diferentes setores da economia, incluindo supermercados, vestuário e calçados.

O principal argumento das entidades é que as empresas que atualmente funcionam seis dias por semana poderão precisar contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de operação, elevando os gastos com salários e encargos. Pequenos negócios, com equipes reduzidas, estariam entre os mais expostos a essa pressão.

Por outro lado, os efeitos sobre os preços não são consenso entre os especialistas. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o custo do trabalho aumentaria, em média, 7,84%, mas avalia que o impacto sobre os custos totais das empresas tende a ser menor em setores como a indústria e o comércio. Pesquisadores também apontam que parte dos gastos adicionais pode ser absorvida pelas margens de lucro, sem que haja repasse integral aos consumidores.

Assim, uma eventual alta de preços dependerá da capacidade das empresas de absorver os custos, ampliar a produtividade e reorganizar as equipes. Os percentuais divulgados são projeções de entidades e estudos econômicos, e não representam aumentos já confirmados nos preços dos produtos nas prateleiras.


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