Jovem morto pela PM com 27 tiros é velado em São Paulo

O caso aconteceu em Moema (SP) e será investigado pela SSP.

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Familiares e amigos de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, despediram-se do jovem nesta segunda-feira (12), em um cemitério na Zona Sul de São Paulo. Abalados, os parentes pediram que a imprensa acompanhasse o velório a distância.

Gustavo foi morto por policiais militares na madrugada de sábado (10), na Alameda dos Guaramomis, em Moema. Dos 45 disparos efetuados por quatro dos oito agentes envolvidos na ocorrência, 27 atingiram o jovem. Os policiais afirmaram à delegacia que confundiram o celular que ele segurava com uma arma.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os agentes foram afastados das atividades operacionais, e foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM). As armas foram apreendidas, e as imagens das câmeras corporais serão analisadas.

De acordo com o registro policial, os agentes foram acionados após uma denúncia de que um homem estaria transtornado e ameaçando atirar contra si mesmo. No local, encontraram Gustavo nas proximidades de uma passarela. Segundo a versão dos policiais, ele correu, levou a mão à cintura e apontou um objeto escuro na direção da equipe.

A perícia identificou 27 ferimentos por arma de fogo, incluindo ferimentos na cabeça, no rosto e no tórax. Um dos veículos policiais envolvidos também apresentava duas marcas de tiros no capô.

A morte demorou quase seis horas para ser comunicada ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável por investigar mortes de civis provocadas por policiais militares em serviço. Investigadores afirmaram que a demora prejudica o isolamento do local e pode comprometer a apuração.

Familiares disseram à polícia que Gustavo morava com a mãe e as irmãs e tomava medicamentos para depressão desde o ano passado. Segundo a polícia, ele não tinha antecedentes criminais.

Os agentes pertencem ao 12º Batalhão da Polícia Militar, que atua em áreas como Moema, Vila Mariana, Planalto Paulista e Campo Belo. Em 2024, dois policiais do mesmo batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, de 22 anos, na Vila Mariana. Ele também estava desarmado, segundo as informações divulgadas sobre o caso.


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