O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja destinar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) a grupos que se opõem ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação de que a Corte extrapola suas atribuições e promove censura no Brasil, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian.
Os recursos fazem parte de um pacote de US$ 176,9 milhões (aproximadamente R$ 916,4 milhões) do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos, destinado a iniciativas em diferentes países. A reportagem afirma que os repasses foram acelerados pelo governo Trump às vésperas do encerramento do ano fiscal.
Entre os projetos está um programa descrito como voltado ao “combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil”. O plano inclui 43 subsídios, entre eles US$ 2 milhões para um programa de proteção a cristãos na Nigéria e outros US$ 2 milhões para iniciativas contra o que o governo americano classifica como “ideologia de gênero” em países europeus.
Também estão previstos recursos para grupos que atuam contra a imigração na Europa, iniciativas relacionadas a alegações de discriminação contra brancos na África do Sul e projetos que questionam a credibilidade de veículos de imprensa. A Victims of Communism Memorial Foundation, uma organização norte-americana anticomunista, receberia cerca de US$ 40 milhões.
A democrata Jeanne Shaheen, integrante da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, criticou a destinação dos recursos. Segundo ela, as propostas utilizariam dinheiro público para financiar organizações e programas de direita em democracias consolidadas.
Ainda de acordo com o The Guardian, a senadora havia imposto bloqueios a subsídios destinados ao Brasil, à África do Sul, à Nigéria e à Europa. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria determinado que as restrições fossem desconsideradas e os recursos, empenhados. O Departamento de Estado não confirmou ao jornal se os bloqueios foram efetivamente ignorados e afirmou que os programas permanecem sob análise e passarão por verificação.
O episódio ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para o próximo domingo (4), em meio a acusações de suposta interferência externa. A agência Reuters informou que autoridades da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) disseram a representantes da França e da Alemanha que havia interferência dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral brasileiro. Segundo documento das reuniões, os agentes brasileiros teriam descrito a atuação americana como abrangendo “da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente”. Não foram apresentados detalhes sobre a suposta atuação russa.
O governo dos Estados Unidos não respondeu às alegações apresentadas à Reuters e já negou buscar interferir nas eleições brasileiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também alertou sobre interferência estrangeira durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, na última terça-feira (22), sem citar diretamente os EUA.




