Clubes cogitam paralisar o Brasileirão após o fim das bets

Lula proibiu as bets no país a poucos dias das eleições gerais.

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Dirigentes de clubes da elite do futebol brasileiro discutem medidas conjuntas para tentar reverter ou reduzir os impactos da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das chamadas bets no país. As casas de apostas se tornaram uma importante fonte de patrocínio para as equipes.

Entre as alternativas discutidas nos bastidores está a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão. A medida seria uma forma de pressionar o governo Lula por uma solução que inclua um período de transição para o encerramento dos contratos de patrocínio. Os clubes também defendem alternativas financeiras, como uma linha de crédito com condições mais favoráveis.

A mobilização ganhou força antes de uma reunião entre clubes, federações e representantes do governo, prevista para terça-feira (29). O encontro acabou sendo cancelado após dirigentes sinalizarem que poderiam não comparecer. A nova data ainda não foi definida.

Em 2025, as empresas de apostas destinaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados. O valor representou 7,2% das receitas totais das equipes e cerca de um terço das receitas comerciais.

Na segunda-feira (28), Lula afirmou que o fim das bets não causaria prejuízos ao futebol. Durante uma cerimônia em Brasília, o presidente argumentou que os principais momentos do futebol brasileiro ocorreram antes da existência das apostas esportivas.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também é diretamente afetada pela medida, pois mantém contrato de patrocínio com a Betano. A entidade foi acionada pelo governo para intermediar as discussões com clubes das Séries A, B, C e D, mas tem evitado se manifestar publicamente sobre o tema.

A discussão ocorre poucos dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para o próximo domingo (4), em meio à pressão dos clubes por uma transição que reduza o impacto financeiro da retirada dos patrocínios.


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