Putin tem vitória recorde em eleição parlamentar na Rússia

O partido Rússia Unida, que apoia Putin, obteve 57,83% dos votos.


O partido Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, conquistou uma maioria recorde nas eleições para a Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. Realizado entre sexta-feira (18) e domingo (20), o pleito foi o primeiro para o Legislativo desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022.

Segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (21) pela Comissão Eleitoral Central, com mais de 95% dos votos apurados, o Rússia Unida obteve 57,83% dos votos e deverá ficar com 355 das 450 cadeiras da Duma. O resultado supera o recorde anterior da legenda, de 343 assentos, registrado em 2016.

O Partido Comunista ficou com 40 cadeiras, enquanto o Partido Liberal Democrata conquistou 25 e o Novo Povo, 20. A distribuição ainda é preliminar, e o resultado definitivo deverá ser divulgado nesta semana.

A participação eleitoral superou 59%, segundo a comissão eleitoral. O pleito ocorreu em meio a restrições à oposição e a leis que criminalizam críticas à atuação das Forças Armadas e à guerra na Ucrânia. O partido Iabloko, que se posiciona contra o conflito, foi impedido de disputar a eleição pela lista partidária.

O governo russo apresentou o resultado como demonstração de apoio a Putin e à condução da guerra. Críticos do processo, por outro lado, apontaram restrições à oposição, ausência de observadores internacionais e outras limitações ao ambiente eleitoral. A União Europeia (UE) também criticou a condução do pleito.

A eleição ocorreu simultaneamente à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia. No domingo, autoridades russas afirmaram ter interceptado mais de 1.600 drones, incluindo cerca de 450 direcionados à região de Moscou. O ataque deixou três mortos e atingiu uma refinaria de petróleo na capital russa.

Os ataques contra instalações energéticas russas também têm contribuído para restrições no mercado de combustíveis do país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a interromper os ataques contra refinarias russas, citando os impactos sobre o mercado global de diesel e os preços dos combustíveis.

O cenário ocorre enquanto Trump tenta avançar nas negociações para encerrar a guerra. O conflito também permanece relacionado às pressões sobre os mercados de energia, em meio à crise envolvendo o estreito de Ormuz e à guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro.


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