Países bálticos reforçam segurança por temor de ataque russo

A infraestrutura dos países bálticos está sendo reforçada.


Países do norte da Europa, membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), estão reforçando a segurança em torno de barragens, usinas de energia e instalações de gás natural diante da crescente preocupação com a possibilidade de a Rússia realizar um ataque de falsa bandeira utilizando drones de fabricação ucraniana.

A Lituânia afirmou, na semana passada, que Moscou estaria avaliando a realização de um ataque simulado desse tipo. Polônia, Letônia e Estônia também emitiram alertas sobre possíveis atos de sabotagem russa destinados a testar a capacidade de resposta da OTAN.

O Kremlin rejeita as acusações. Em julho, o porta-voz Dmitry Peskov classificou os alertas sobre possíveis operações clandestinas russas como “histórias para assustar”, usadas para justificar a militarização contra a Rússia.

Apesar das negativas, os quatro países afirmam estar adotando medidas preventivas. O ministro da Defesa da Lituânia, Robertas Kaunas, disse à agência Reuters que o país está reforçando a proteção de sua infraestrutura crítica e ampliando o compartilhamento de informações com os serviços de inteligência.

No mês passado, militares lituanos foram mobilizados para auxiliar a polícia na proteção de instalações estratégicas, incluindo um terminal de importação de gás natural liquefeito, um terminal de produtos petrolíferos, uma conexão energética com a Polônia e a usina hidrelétrica de armazenamento por bombeamento de Kruonis.

Na Letônia, o governo também ampliou a segurança em torno de instalações consideradas críticas, entre elas uma barragem no rio Daugava, próxima a Riga, e a unidade subterrânea de armazenamento de gás de Incukalns. Segundo o primeiro-ministro Andris Kulbergs, a possibilidade de uma ameaça híbrida é atualmente maior do que no passado.

Um funcionário de inteligência dos países bálticos afirmou à Reuters que avaliações indicam que estruturas militares e de inteligência russas estariam planejando um possível ataque de falsa bandeira contra infraestruturas na Rússia, nos países bálticos ou na Polônia. Segundo ele, a ação poderia utilizar drones de fabricação ucraniana e ocorrer poucos dias após receber autorização da liderança russa, incluindo o presidente Vladimir Putin.

A principal preocupação, de acordo com a fonte ouvida pela Reuters, seria o impacto político de um eventual ataque, especialmente a possibilidade de gerar divergências dentro da OTAN sobre uma resposta conjunta.

Na Polônia, a empresa de petróleo e gás Orlen avalia rotas alternativas para a importação de gás caso as atuais sejam comprometidas. A companhia recebe cerca de 80% do gás utilizado no país por meio do terminal de gás natural liquefeito de Swinoujscie e de um gasoduto submarino ligado à Noruega.

A Gaz-System, responsável pela infraestrutura, opera sob “vigilância reforçada” na região. A empresa informou que acompanha a situação geopolítica e adota as medidas consideradas necessárias.

Moscou afirma que as acusações contra a Rússia são motivadas por “russofobia” e que o Ocidente frequentemente atribui ações hostis ao país sem apresentar provas. A OTAN e a embaixada russa em Vilnius não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.