Planejadores militares dos Estados Unidos começaram a avaliar opções para uma possível ação contra Cuba, incluindo um cenário de operação aeromóvel de grande escala conduzida pelo Exército americano, segundo autoridades ouvidas pela emissora CBS News na última quinta-feira (16).
Uma das alternativas analisadas envolveria a participação da 101ª Divisão Aerotransportada, unidade especializada no transporte de tropas e equipamentos por helicópteros para a conquista de áreas estratégicas. As discussões, no entanto, permanecem em estágio preliminar e não indicam uma decisão do presidente norte-americano Donald Trump ou do Pentágono de realizar uma intervenção militar na ilha.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos realizou, no fim de junho, uma apresentação de conceitos operacionais para avaliar possíveis missões em diferentes cenários. Esse tipo de planejamento costuma analisar objetivos, quantidade de militares necessários, logística, etapas de execução e riscos envolvidos.
Autoridades americanas destacaram que a elaboração de planos militares faz parte das funções regulares do Pentágono e serve para oferecer alternativas à Casa Branca em caso de agravamento de crises. O Departamento de Defesa afirmou à CBS que não comenta operações militares hipotéticas, e a Casa Branca não confirmou a existência de um plano específico para invadir Cuba ou derrubar o governo cubano.
Em março, o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou ao Congresso norte-americano que as forças americanas não estavam preparando uma invasão ou ocupação da ilha. Segundo ele, os militares poderiam ser mobilizados em situações como a proteção da embaixada dos EUA, a defesa da Base Naval de Guantánamo ou uma resposta a uma eventual crise migratória.
O novo planejamento teria sido iniciado posteriormente, em meio ao aumento das tensões entre Washington e Havana. Apesar disso, fontes ouvidas pela CBS consideram improvável uma mudança imediata de prioridade, principalmente porque parte dos recursos militares americanos está concentrada em operações envolvendo o Irã no Oriente Médio.
A possibilidade estudada envolveria uma operação conhecida como air assault, na qual soldados, armas e equipamentos são deslocados por helicópteros para uma área de combate, com o objetivo de conquistar e manter posições estratégicas.
A 101ª Divisão Aerotransportada é a principal unidade do Exército dos Estados Unidos especializada nesse tipo de operação. Uma eventual ação contra Cuba exigiria superioridade aérea, neutralização de defesas antiaéreas, inteligência em tempo real, proteção dos helicópteros e uma estrutura logística capaz de manter milhares de militares em território cubano.
A reportagem não revelou possíveis alvos, o número de tropas envolvidas ou se haveria previsão de ocupação permanente de áreas da ilha. Também não há informações públicas sobre deslocamentos de forças americanas para uma operação desse tipo.
As tensões entre os países aumentaram após autoridades dos Estados Unidos afirmarem que Cuba teria adquirido centenas de drones militares da Rússia e do Irã. Segundo informações de inteligência dos Estados Unidos citadas por veículos americanos, esses equipamentos poderiam ser usados contra a Base Naval de Guantánamo ou outros alvos de interesse americano na região, embora não existam evidências de um ataque iminente.
O governo cubano negou as acusações e afirmou que possui o direito de fortalecer sua defesa diante de possíveis ameaças externas.
Em junho, durante uma visita à Base Naval de Guantánamo, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, alertou Havana contra a aquisição de armamentos capazes de atingir instalações americanas. Na ocasião, afirmou que o Pentágono apresentaria ao presidente Trump todas as opções disponíveis diante de eventuais crises envolvendo Cuba.




